A Imaculada Conceição de Maria no Advento

A Imaculada Conceição de Maria no Advento

A-Imaculada-Conceição-de-Maria-no-Advento-600x300

A Imaculada Conceição de Maria já estava prevista desde o princípio, no Advento eterno, em Deus.

No Advento eterno, antes da criação do mundo, a Imaculada Conceição de Maria já estava no desígnio amoroso de Deus para a humanidade. É significativo refletir sobre esta verdade, especialmente no Tempo do Advento e na proximidade da Solenidade da Imaculada Conceição. A este respeito, o Papa São João Paulo II nos ensina que existe um Advento primordial e eterno em Deus, que está se cumprindo na história da humanidade. Este Advento eterno, que é o projeto de Deus para a humanidade, realiza-se em três fases na história da salvação. No primeiro Advento, tem início a Criação do mundo, que tem como centro e ápice o gênero humano, ainda em plena harmonia com o Criador. O segundo, começa com a queda de Adão e termina na primeira vinda de Jesus Cristo. O terceiro e último, tem início naquele que chamamos de Tempo da Igreja, que vivemos hoje e que culminará com a segunda e definitiva vinda do Senhor Desde o Advento primordial, Maria foi escolhida, predestinada, para ser a Mãe do Verbo Eterno. Em vista dessa suprema dignidade, foi também concedida a Mãe de Deus a maravilhosa graça da Imaculada Conceição. A graça da Imaculada, que celebramos com toda a Igreja no Tempo do Advento, diz respeito não somente a Santíssima Virgem, mas também à escolha de Deus a respeito de cada um de nós desde toda a eternidade.

A Imaculada Conceição no Advento primordial

Na carta aos Efésios, o apóstolo São Paulo nos dá uma belíssima imagem do Advento: “Bendito seja Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. N’Ele nos escolheu antes da constituição do mundo, para sermos santos e imaculados diante dos seus olhos” Esta não é ainda a imagem do Advento da vinda de Jesus Cristo, mas “trata-se daquele Advento eterno cujo início se encontra em Deus mesmo, ‘antes da constituição do mundo’, porque já a ‘constituição do mundo’ foi o primeiro passo da Vinda de Deus ao homem, o primeiro ato do Advento. Neste primeiro Advento, todo o mundo visível foi criado, para o homem, como demonstra o livro do Gênesis Mas, “o início do Advento em Deus é o Seu eterno projeto de criação do mundo e do homem, projeto nascido do amor. Este amor manifesta-se com a eterna opção do homem em Cristo, Verbo Encarnado. Em Cristo, fomos escolhidos por Deus, antes da constituição do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante de seus olhos “Neste eterno Advento está presente Maria. Entre todos os homens, que o Pai escolheu em Cristo, Ela foi-o de modo particular e excepcional, porque foi escolhida em Cristo para ser Mãe de Cristo” E assim Ela, melhor do que qualquer outra pessoa entre os homens “predestinados pelo Pai” para a dignidade de filhos e filhas adotivos, foi predestinada de modo especialíssimo para fazer resplandecer a sua maravilhosa graça, que o Pai nos deu no Filho Bem-amado A glória sublime da especialíssima graça de Deus é a Maternidade do Verbo eterno e, em consideração desta, a Mãe de Deus obteve em Cristo também a graça da Imaculada Conceição. Sendo assim, a Virgem Maria está presente naquele primeiro e eterno Advento da Palavra com a dignidade de Mãe de Deus e da sua Imaculada Conceição, segundo o desígnio de Amor do Pai na criação do mundo e no projeto de salvação da humanidade.

A Mulher Imaculada do segundo Advento

O segundo Advento tem carácter histórico e realiza-se no tempo entre a queda do primeiro homem, Adão, e a vinda de Jesus Cristo, o novo Adão. A Liturgia da Solenidade da Imaculada Conceição recorda-nos este Advento e mostra como Maria está inserida nele desde o início. Quando manifestou-se o primeiro pecado, com inesperada vergonha de Adão e Eva Deus revelou, pela primeira vez, o Redentor do mundo, e também a Sua Mãe. Esta revelação se dá mediante as palavras que a Tradição da Igreja chama de “proto-Evangelho”, o prenúncio do próprio Evangelho, da Boa Nova de Jesus Cristo: “Farei reinar a inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta esmagar-te-á a cabeça, ao tentares mordê-la no calcanhar”. Estas palavras misteriosas revelam o futuro da humanidade e da Igreja, que é visto na perspectiva de uma luta entre o Espírito das Trevas, que é mentiroso e pai da mentira, e o Filho da Mulher, que deve vir à humanidade como “o caminho, a verdade e a vida”. Deste modo, a Virgem Maria estava presente naquele segundo Advento histórico, desde o princípio. A Mulher é prometida juntamente com o Seu Filho, o Redentor do mundo, e é também esperada com Ele. O Messias-Emanuel, “Deus connosco”, é esperado como Filho da Mulher, Filho da Imaculada.

Maria, a Mãe Imaculada e o terceiro Advento

A vinda do Filho de Deus, no Mistério da Encarnação do Verbo, constitui não só a realização do segundo Advento, mas também traz consigo a revelação do terceiro e definitivo Advento. Ainda no Mistério da Anunciação, o Anjo Gabriel proclama esta maravilhosa Boa Nova a Virgem de Nazaré: “Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim”. A Virgem “Maria é o início do terceiro Advento, porque d’Ela vem ao mundo Aquele que efetivará a escolha eterna, que lemos na carta aos Efésios”15: “N’Ele [em Cristo, Deus] nos escolheu antes da constituição do mundo, para sermos santos e imaculados diante dos seus olhos. Efetivando esta escolha sobre cada um de nós, Jesus Cristo fará dela o fato culminante da história da humanidade. O Senhor realiza este terceiro Advento na vida dos escolhidos sob a forma concreta do Evangelho, da Eucaristia, da Palavra de Deus e dos outros Sacramentos. Por conseguinte, aquela escolha eterna, desde o Advento primordial, penetrará a vida das almas humanas, especialmente a vida desta comunidade que se chama Igreja. A história da família humana e a de cada um de nós em particular amadurecerão segundo a medida do amadurecimento dos filhos e das filhas adotivos de Deus Pai, em Cristo Jesus. N’Ele fomos escolhidos, predestinados, segundo o desígnio d’Aquele que tudo opera segundo a decisão da Sua Vontade. “Maria é o início daquele terceiro Advento e permanece continuamente nele, sempre presente. […] Tal como o segundo Advento nos aproxima d’Aquela cujo Filho havia de ‘esmagar a cabeça da Serpente’, assim também o terceiro Advento não nos afasta d’Ela mas permite-nos continuamente permanecer na Sua presença, perto d’Ela”. Aquele segundo Advento foi somente a expectativa da realização definitiva dos tempos e, ao mesmo tempo, o tempo da luta e dos combates, da realização daquela previsão original: “Farei reinar a inimizade entre ti e a mulher…. A diferença do segundo é que, no terceiro Advento, nós já conhecemos a Mulher. Ela é a Imaculada Conceição, conhecida pela sua virgindade perpétua e pela sua maternidade divina. A Mulher do Gênesis é a Mãe de Deus e da Igreja, Mãe de Cristo e dos homens: Maria, a Mãe Imaculada do nosso Advento.

A vocação esponsal e materna de Maria na Igreja

Assim, no Advento primordial, desígnio eterno da Santíssima Trindade, a Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria é para nós um grande sinal. Pois, a Mãe de Deus realizou já neste mundo a nossa vocação: “sermos santos e imaculados”. Na concepção imaculada de Maria, a Igreja vê projetar-se antecipadamente, no seu membro mais nobre, a graça salvadora da Páscoa. Dessa forma, “a Imaculada, que assinala ‘o início da Igreja, esposa de Cristo sem mancha e sem ruga, resplandecente de beleza’, […] precede sempre o Povo de Deus na peregrinação da fé rumo ao Reino dos céus. Entretanto, além de nos preceder em nossa vocação esponsal, a Virgem Maria tem outra missão, ainda mais sublime junto de nós. No Mistério da Encarnação, estão indissoluvelmente unidos o Filho e a Mãe: “Aquele que é o seu Senhor e a sua Cabeça e Aquela que, ao pronunciar o primeiro ‘fiat‘ (faça-se) da Nova Aliança, prefigura a condição da mesma Igreja, de esposa e de mãe. Dessa forma, a Mãe de Deus não somente nos precede na vocação esponsal da Igreja, mas também na sua missão materna. Ao mesmo tempo, Maria permanece exercendo sua maternidade sobre cada um de nós, os eleitos de Deus, até “sermos santos e imaculados” e aconteça a consumação definitiva do terceiro Advento, com a vinda gloriosa e definitiva de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nessa expectativa, clamemos com toda a Igreja neste Advento: “Vem, Senhor Jesus!”

Fonte: http://blog.cancaonova.com/tododemaria/a-imaculada-conceicao-de-maria-no-advento/