Comunidades tradicionais e povos originários do Maranhão discutem defesa de seus territórios

Comunidades tradicionais e povos originários do Maranhão discutem defesa de seus territórios

Evento aconteceu nos dias 13 a 15 de maio

A comunidade sertaneja Forquilha, no município de Benedito Leite (MA), acolheu nos dias 13 a 15 de maio, o 4º Encontrão Regional da Teia. O evento contou com a participação de povos indígenas (Krenyê, Gamela, Krikati, Krepym Katejê), comunidades tradicionais quilombolas, sertanejos, geraizeiros, quebradeiras de coco, pescadores artesanais, pastorais sociais do campo, movimentos populares e sindicais que estão relacionados diretamente com a terra e a água.

O bispo de Balsas (MA) e presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom Enemésio Ângelo Lazzaris,l esteve presente no encontro e enfatizou a importância da organização e unidade entre os povos, movimentos sociais e populares. Para o bispo, “a realização do 4º Encontro da Teia na diocese de Balsas, especificamente na comunidade Forquilha é uma forma de aprofundar a missão, a pastoralidade e a finalidade da Teia, e ainda de colaborar com as pessoas que vivem na comunidade, para que elas resistam e permaneçam na terra que é tão rica, abençoada e necessária para tantas famílias”.

Maciel Bento, liderança da Comunidade Forquilha, destacou que “o encontro vai deixar a comunidade mais fortalecida e motivada para os enfrentamentos da vida”. O mesmo ressaltou que “a comunidade só luta pelos direitos de viver, de ir e vir e de todos aqueles que estão incluídos na Constituição Federal”.

O 4º Encontrão Regional da Teia foi marcado pela diversidade da cultura maranhense ao som dos tambores, maracás, religiosidade popular, danças e cantorias entoadas pelos diversos povos presentes, demonstrando assim suas identidades e modos de vida.

Lutas e resistências

Decididos em continuarem a luta em defesa de seus territórios para a garantia de seus modos de vida, os povos e comunidades tradicionais proclamaram que o caminho da Teia nunca deve ser o de acomodação.  “O momento é de recarregar as energias e reafirmar a luta das comunidades”, afirma o quilombola Gil.

Já os povos indígenas presentes no encontro disseram que suas vidas são marcadas por momentos difíceis, como é o caso de Daria Krikati, que lembra que seu território vive sofrendo constantes ameaças. “Precisamos lutar juntos para mostrar às forças contrárias que a união faz a diferença”. Daria falou ainda que “a articulação da Teia veio em uma boa hora”.

Quem também participou do encontro da Teia foi Isolete Wichinieski, articuladora do Cerrado na CPT Nacional. Para ela, “a espiritualidade e a identidade das comunidades ainda é muito forte no Maranhão e é isso que pauta as lutas e o cotidiano das comunidades, como força motriz para continuarem na luta”.

Inaldo Gamela, da articulação das CPTs da Amazônia, lembra que um dos objetivos da Teia é fortalecer a articulação dos povos e comunidades tradicionais. Ele destacou também que “a presença da diversidade de povos nos encontros da Teia é uma demonstração de que está havendo um entendimento e uma avaliação positiva na metodologia de articulação. Para ele, a Teia está passando por um processo de acúmulo de conhecimentos e fortalecimento nos debates”.

O próximo encontrão vai ser realizado em dezembro de 2016 e será acolhido pelas quebradeiras de coco babaçu, na comunidade Centro do Pretinho, município de Dom Pedro (MA).

Com informações e foto da diocese de Balsas

Fonte: CNBB