Vocação: um dom da misericórdia de Deus

Vocação: um dom da misericórdia de Deus

A cada momento da história do mundo, onde está situada a Igreja e onde estamos nós, Deus está agindo, tomando iniciativas: escuta o clamor do seu povo, vê seus sofrimentos, vai ao encontro, manifesta compaixão, chama pessoas para seguirem Jesus Cristo, ilumina o seu caminho, consagra-as para a missão. Para isso, derrama o seu Espírito que sempre nos antecede e fecunda o que, suscitado por Ele, vai sendo realizado.

Para falar-nos da vocação e da missão, São Paulo apresenta a imagem do corpo fazendo ver que todos os membros são importantes, cada um tem sua função, mas deve estar a serviço do todo e que os membros mais fracos precisam de uma maior atenção dos demais, afinal de contas o amor é o vínculo de união (cf. 1Cor 12,12-13,13). “Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. Vós todos sois o corpo de Cristo e, individualmente, sois membros desse corpo” (1Cor 12,26-27).

A palavra vocação significa chamado. É Deus quem nos chama e chama todas as pessoas. Ele nos chama à vida, o que acontece já no momento de nossa concepção; e nos chama à fé pelo batismo para a vivência do seguimento a Jesus Cristo como seu discípulo missionário.

A fé nos abre ao encontro com Jesus Cristo que nos revela o amor, a misericórdia do Pai e também nos faz responder ao seu chamado. As pessoas batizadas são incorporadas a Cristo, constituídas Povo de Deus e, a seu modo, participam do múnus sacerdotal, profético e régio-pastoral de Cristo, pelo que exercem sua parte na missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo (cf. LG, n. 31).

A vocação vai sendo alimentada na família, pela participação na comunidade eclesial, também de outras formas e se concretiza no assumir tarefas na própria comunidade, no lugar onde se reside, na vida profissional, formando uma família e em outros setores da sociedade.

Iluminada pelo Espírito Santo e estando convicta de que o chamado e a missão vêm de Deus, a pessoa passa a viver esses dons, resistindo aos desafios da própria cultura pós-moderna que incentiva o subjetivismo individualista e a relativização de tudo a fim de que possa realizar o que melhor lhe convém. O Espírito Santo também ilumina para que as saídas que vão sendo encontradas tenham como finalidade a realização da vontade de Deus: a construção de uma sociedade justa, solidária, pacífica, como sinal do seu Reino.

O que se afirma até aqui diz respeito a todas as vocações. A vocação dos cristãos leigos e leigas tem como característica ser luz da terra e sal do mundo em meio às várias realidades sociais transformando-as pelo Evangelho, tendo como um dos seus pilares a presença junto aos pobres também chamados a serem sujeitos na evangelização e na transformação do mundo, afinal de contas, com eles Jesus Cristo se identifica.

No amplo campo do chamado e da missão, há também aquelas pessoas que são chamadas por Deus para seguirem Jesus Cristo na vida consagrada. São os religiosos e religiosas que, contemplando a vida de Jesus Cristo e os grandes desafios das realidades, respondem sim para viverem em comunidades de fé e de vida fraterna, colocando-se a serviço do Reino. Agradecemos a Deus por todos os religiosos e religiosas.

Para favorecer a comunhão do povo de Deus, o mesmo Jesus quis escolher apóstolos para colaborar na formação de comunidades missionárias enraizadas no Evangelho, na comunhão fraterna e na celebração do Mistério Pascal, sendo perseverantes na oração. Esta é a missão do bispo junto com os seus presbíteros e diáconos, os ministros ordenados.

Por dom Esmeraldo Barreto
Bispo auxiliar da Arquidiocese de São Luís – MA