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Indígenas enfrentam surto de sarna no interior do Maranhão

Moradores das aldeias Esperança e Araruna, em Itaipava do Grajaú, reclamam da falta de atendimento médico e de remédios, Fábio Timbira, pai da menina e liderança indígena da aldeia Esperança, na Terra Indígena (TI) Geralda/Toco Preto, diz que o problema é comum às crianças das TIs do município de Itaipava do Grajaú, no interior do Maranhão. Altamente contagiosa, a escabiose, conhecida como sarna humana, é um problema sério na região há pelo menos cinco meses. Fábio Timbira diz que essa os primeiros casos foram da doença no território, que hoje abriga 30 indígenas das etnias Timbira e Kreepyn-Katejê, foram vistos em novembro do ano passado. Trinta quilômetros separam a TI do centro urbano, onde os serviços de saúde e assistência são encontrados. De acordo com os moradores da aldeia Esperança, não há um posto de saúde em funcionamento dentro do território. É preciso vencer dificuldades de acesso numa estrada por onde a maioria dos carros de passeio convencionais, que são poucos na região, não consegue passar. A demanda por melhorias no acesso à cidade é uma pauta antiga. À Agência Pública, lideranças indígenas locais enviaram cópia dos e-mails à secretaria de Direitos Humanos do estado do Maranhão nos quais pedem, reiteradamente, ações que facilitem o acesso a serviços de saúde.

O problema foi levado ao Ministério Público Federal, em abril deste ano, numa reunião onde foram discutidos também outros temas, como abastecimento de água e energia. De acordo com as lideranças que participaram do encontro, uma ação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) ocorreu duas semanas depois no território, mas os moradores avaliam ter sido um esforço frustrado pela falta de logística.

Questionada sobre a ação, a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), vinculada ao Ministério da Saúde, informou apenas que “foram realizados procedimentos como aferição de pressão arterial, teste rápido de glicemia capilar, antropometria, dispensação de medicação, acolhimento e escuta qualificada. Os especialistas da pasta atenderam indígenas gestantes, hipertensos e com queixas dermatológicas”.

Apesar de questionada, a secretaria não informou o número total de indígenas atendidos na ação realizada nos territórios. A Sesai também não informou à reportagem se pretende realizar novas ações de atendimento.

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