segunda-feira , 19 outubro 2020

Vencer a murmuração no deserto da Quaresma

Jesus-no-deserto

Ainda estamos na Quaresma! Temos essa semana para entrarmos, pela Liturgia, no deserto com o Cristo. O deserto foi o primeiro ponto de encontro de Deus com o Antigo Israel. Foi ali que Ele se revelou e fez Aliança. Foi ali que conduziu o povo. Foi ali que quis falar ao coração do seu povo. Até cantamos com entusiasmo nas missas: “O povo de Deus no deserto andava… Também sou teu povo, Senhor! Estou nessa estrada…”

De fato, na Quaresma, somos mergulhados espiritualmente na mística do deserto. Mística de combate espiritual, de penitência e mortificações, de jejuns e provação, mas também de profundidade de encontro com Deus! Sim! No deserto há vida espiritual! Os antigos religiosos eremitas dos séculos III e IV, como Santo Antão, os chamados padres do deserto, são testemunhas disso!

Mas foi também no deserto que o povo de Deus pecou. O livro do Êxodo conta a grande história de libertação dos israelitas do poder do Egito. Mesmo livres demonstravam uma escravidão interior. Ainda que não tivesse provado das águas amargas de Mara (Ex 15), aquela geração de ex-escravos trazia inoculado em seus corações o discreto – mas ao mesmo tempo devastador –  veneno da murmuração.

Quer pela sede, quer pela fome, se rendeu aos caprichos dos próprios desejos;  desacreditou não apenas da capacidade de liderança de Moisés, mas, principalmente, da Providência do Deus que os libertara do poder do faraó. “Não são contra nós as vossas murmurações, mas contra o Senhor” (Ex 16,8).

Olhando para eles, é hora de nos revermos e questionarmos: Quantas vezes não faço o mesmo? Quantas vezes, movido por minhas opiniões acerca do que é certo e do que é justo, acabo murmurando? Quantas vezes os lábios que deviam pronunciar palavras de gratidão a Deus se mancham pelo fel da reclamação? Em que situações o meu coração, que deveria ser habitado em plenitude por Deus, se tornou centro de murmuração contra Ele?

Como é amargo viver com a murmuração! Já alertava São Paulo em sua carta aos Filipenses “Fazei tudo sem reclamar ou murmurar, para que sejais livres de repreensão e ambiguidade, filhos de Deus sem defeito” (Fl 2,14). Precisamos estar em constante estado de vigilância, afinal, ninguém está isento de pecar.

Que no final desta Quaresma possamos seguir o que nos pede o Papa Francisco: fazer jejum de palavras negativas e dizer palavras bondosas; jejum de descontentamento e encher-se de gratidão; jejum de queixas e encher-se com as coisas simples da vida; jejum de amargura e tristeza e encher o coração de alegria. Só assim, o deserto será para nós o que profetizava Oséias: “Eu o atrairei e o levarei ao deserto e Lhe falarei ao coração!” (Os 2,14).

Fonte: http://blog.cancaonova.com/seminario/vencer-a-murmuracao-no-deserto-da-quaresma/

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