(Foto: Reprodução / ONU News)

Iêmen precisa de US$ 4,27 bilhões para conter “situação catastrófica”

Mais de 23 milhões de pessoas enfrentam fome, doenças e outras ameaças; número é 13% maior em relação a 2021; falta de financiamento fez agências reduzirem porções de alimentos e encerrar serviços básicos; apenas metade da população vulnerável tem acesso à ajuda humanitária.

O conflito no Iêmen, que se estende por sete anos, empurrou cerca de 19 milhões de pessoas para situação de insegurança alimentar aguda. De acordo com dados das agências da ONU, mais de 23 milhões de iemenitas enfrentam fome, doenças e outros riscos que ameaçam a vida. O número é 13% maior em relação a 2021.

Nesta terça-feira, um evento de alto nível apoiado pelo Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Ocha, em parceria com outras entidades, pretende recolher US$ 4,27 bilhões para ajudar mais de 17 milhões de pessoas. Entre as principais necessidades estão comida, saneamento, saúde, educação e outros serviços básicos.

Impactos da guerra na Ucrânia

Agências da ONU explicam que a guerra na Ucrânia gera impactos nos níveis de fome no Iêmen, já que eleva os preços dos alimentos e aumenta a lacuna de financiamento, levando a cortes na assistência alimentar.

O diretor executivo do PMA, David Beasley, alerta que a ajuda é fundamental para garantir a continuação da assistência de milhares de famílias no país. Ele afirma que o financiamento para o Iêmen nunca chegou a níveis tão preocupantes.

A agência já foi forçada a reduzir a alimentação de oito milhões de pessoas no início do ano devido à falta de fundos.

Segundo o PMA, cinco milhões de pessoas que correm o risco imediato de cair em condições de fome continuaram a receber a porção completa de alimentos. Mas, a agência alerta que, a menos que novos fundos cheguem, novas reduções serão inevitáveis.

Financiamentos escassos

O chefe humanitário da ONU, Martin Griffiths, afirmou que, apesar de todos os esforços, os auxílios para as pessoas no Iêmen estão acabando. Nesse cenário, ele afirmou que decisões difíceis precisam ser tomadas. Temendo que a falta de auxílio se torne uma “sentença de morte” para diversos iemenitas, Griffiths explicou que a falta de financiamento gerou cortes fundamentais, como serviços de saúde para grávidas e bebês.

Segundo suas estimativas, sem injeções rápidas de dinheiro, quase 4 milhões de pessoas não terão mais água potável para beber e 1 milhões de mulheres e meninas podem perder o acesso a serviços de saúde reprodutiva e proteção contra violência de gênero.

De acordo com o chefe humanitário, dois terços dos grandes projetos da ONU no Iêmen já foram forçados a reduzir ou fechar devido à falta de fundos..

Acesso

De acordo com o relatório do Ocha, a ajuda humanitária enfrentou desafios significativos na operação. Quase 3 mil incidentes de acesso foram registrados no ano passado, principalmente na forma de e entraves burocráticos.

Em 2022, as agências de ajuda se mostraram engajadas a seguir coordenando e fortalecendo o acesso seguro, desimpedido e baseado em princípios pessoas necessitadas em todo o Iêmen. Outro dado alarmante indicado pelos escritórios da ONU é que 4,3 milhões de pessoas deslocadas internamente no país. Assim, o Iêmen permaneceu como a quarta maior crise de deslocamento interno do mundo em 2021.

Apenas metade desses iemenitas vivem em locais em que a assistência humanitária é capaz de levar serviços básicos.

Paz

Os representantes da ONU ainda destacaram que o aumento do suporte financeiro pode assegurar que as operações se regularizem. No entanto, além da frente humanitária, são necessários esforços em outras áreas: estabilização da economia e apoio aos serviços básicos como educação e saúde.

Por isso, para eles, a prioridade das ações no país deve ser alcançar a paz para que as pessoas no Iêmen não estejam “condenadas a níveis extremos de pobreza, fome e sofrimento”.

 

Fonte: (Rádio Educadora do Maranhão / ONU News)

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