sábado , 31 outubro 2020

Papa define perseguição aos cristãos como uma “chaga”

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O Papa Francisco define como uma chaga a perseguição aos cristãos e o sofrimento dessas pessoas que são feridas e mortas por causa de sua fé. Assim ele se expressa em uma mensagem à Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) por ocasião da apresentação do relatório sobre a perseguição aos cristãos no mundo.

A mensagem foi enviada pelo secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin, comentando o resultado do relatório “Perseguidos e Esquecidos”, elaborado pela AIS e divulgado ontem, 13. O levantamento mostrou que os cristãos são o grupo religioso mais perseguido do mundo.

Francisco reza para que haja esforços a fim de erradicar a perseguição e a discriminação religiosa, bem como para que se encontrem métodos mais eficazes de cooperação internacional para derrotar as ofensas contra a dignidade humana e a liberdade religiosa.

“Que os homens e as mulheres de fé e de boa vontade possam mostrar o apoio aos seus irmãos e irmãs que sofrem em todo o mundo, oferecendo assistência espiritual e material”, é o desejo do Papa manifestado pelo Cardeal Parolin.

Restrição à liberdade religiosa em 22 países

O relatório apresentado ontem mostra que, em 22 países do mundo, os cristãos sofrem graves limitações da própria liberdade religiosa. O estudo da AIS sublinha como o número das nações classificadas como de “extrema preocupação” aumentou de 2013 a 2015, incluindo Iraque, Síria, Nigéria e Sudão, todos países marcados pelo extremismo islâmico que, conforme precisa o relatório, se confirma como uma das principais ameaças à comunidade cristã.

Particularmente grave é a situação no Oriente Médio: no Iraque, do ano 2000 até hoje, a população cristã diminuiu de 1 milhão para menos de 300 mil. Se esse número continuar a cair, a tendência é que a comunidade cristã possa desaparecer nos próximos cinco anos. Obrigados pelo Estado Islâmico a escolher entre a conversão e a morte, outros 120 mil cristãos iraquianos fugiram para o Curdistão iraquiano.

“Vivem com tanta angústia, ansiedade e depois aguardam, não sabem para onde ir, aonde começar uma nova vida, uma nova história, se permanecem e até quando. Existe, portanto, um grande desgaste psicológico. Também as suas crianças, as escolas, as suas propriedades – têm casa, trabalho – tudo isto é precário”, conta o Patriarca de Babilônia dos Caldeus, Louis Raphael Sako. Para ele, a Comunidade Internacional precisa expulsar o Estado Islâmico e permitir que as pessoas retornem às suas casas.

Nigéria, Sri Lanka, Índia e regimes totalitários

Na Nigéria, por outro lado, mais de 100 mil cristãos foram obrigados a fugir da violência do Boko Haram somente na Diocese de Maiduguri, onde foram destruídas 350 igrejas. Contra a liberdade dos cristãos, também outros fundamentalismos: na Índia são numerosos os ataques contra os cristãos por parte dos movimentos nacionalistas hinduístas, enquanto no Sri Lanka, somente em 2013, 105 igrejas e capelas foram destruídas ou fechadas pela ação de extremistas budistas. Ataques estes que veem um aumento em Israel, único país do Oriente Médio em que a população está em crescimento.

Sobre a perseguição por parte de regimes autoritários e totalitaristas, o Relatório da Ajuda à Igreja que Sofre estima que na Coreia do Norte, ao menos 10% dos cerca de 400 mil cristãos estejam detidos em campos de trabalho forçado, onde são torturados e mortos. Na Eritréia, por sua vez, dos três mil prisioneiros, a maior parte deles é cristão, preso por motivo religioso. Por fim, na China, somente em 2014, os líderes religiosos presos foram quase 500.

Fonte: http://papa.cancaonova.com/papa-define-perseguicao-aos-cristaos-como-uma-chaga/

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